sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Céu particular

Escutei hoje um amigo definir, em uma simples piadinha, toda a verdade do mundo evangélico.
"Um homem morreu e foi para o céu. Chegando lá, São Pedro o levou para conhecer cada canto do Paraíso. A um canto, católicos rezavam ajoelhados. Em outro, budistas meditavam, enquanto do outro lado muçulmanos rezavam para Alah e judeus bem diziam Adonai. Enfim, o homem se deparou com um muro e perguntou a São Pedro o que estava do outro lado.
- Ah, do outro lado estão os evangélicos - respondeu o santo.
- Nossa, e por que eles ficam isolados de todo mundo?
- Porque eles acreditam que o céu é só deles. Shii!"
...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Cartas

(...) e eu tive diversas idéias do que te escrever nessa carta, mas no final, nenhuma delas pareceu boa o bastante. Pelo menos não para nós dois. E agora que tudo se acabou mesmo, acho que seria meio sem sentido eu tentar me explicar. Você vive com outro, eu já superei (ou acredito que superei, mas não se preocupe.).
Sobrou um monte de livro e disco seu no meu apartamento, e bilhetes que você colocava no meu travesseiro quando saía para o trabalho. Eu tentei jogar todos fora, mas sempre acontecia alguma coisa para me impedir, e eu comecei a achar que era um sinal (você sabe como eu sou com essas coisas de sinal), e acabei guardando todos numa caixa e coloquei no maleiro, para caso um dia...
E não fique bravo se eu não te desejar felicidade, eu sou egoísta, não queria você com ninguém mais. Mesmo assim, você sabe que eu quero que você seja feliz, e ame, e faça todas aquelas coisas que a gente tinha planejado. Um tempo depois eu notei que nem sinto tanta falta assim de você, mas mais das coisas que a gente nunca fez, nunca completou, sei lá...parece que ficou faltando coisa na nossa história, e ela terminou antes do tempo. Eu sempre imaginei que veria o final de tudo, quer dizer, um final de verdade, completo, que fizesse sentido. 
Acho que a gente não escolhe como as coisas vão acabar, e de repente a gente acorda e elas acabaram. Não é culpa nossa, né?
De qualquer maneira, não tenho muita explicação para te dar. Você parece bem, eu estou bem, todo mundo sobreviveu às tragédias, não é? Só saiba que acho que nunca mais vou amar alguém como amei você. Nem te amar de novo com a mesma intensidade, se é que é possível amar a mesma pessoa duas vezes e de jeitos diferentes. Mas acho que não consigo mesmo. E não acredito quando dizem que o que a gente sentia era paixão, e que paixão sempre acaba. Juro que era amor, e acho que você também me amava, né? Bem, isso eu nem quero que você responda, é melhor ficar no mistério mesmo. (Ou não é? Eu nunca sei se quero saber a verdade ou continuar do jeito que eu estou...)
E se quiser, pode vir buscar suas coisas, viu? Os discos, os livros. Só não prometo te devolver os bilhetes porque...você sabe, os sinais.

Leo 

domingo, 30 de agosto de 2009

Ao longo dos anos

Dentre todas as coisas que conheço, a mais frágil é a felicidade. 

sábado, 18 de julho de 2009

Miguel

Toda vez que alguém lhe dizia algo interessante, Miguel anotava em um caderninho que carregava consigo. Em 22 anos de existência, reuniu quase cem cadernos pautados com todas as suas folhas - frente e verso! - preenchidas por frases e palavras interessantes. Eram conselhos, vícios de linguagem, paradoxos, expressões, ditados, erros gramaticais e citações. Inúmeras letras e linhas e pontos e vírgulas. Sua vida era tudo aquilo, em caderninhos com linhas, organizados por data em uma estante de lata. Se houvesse um incêndio no apartamento de Miguel, lá se ia sua vida por completo. Seria impossível recuperar todos aqueles dizeres, de qualquer maneira. Um dia, ele sentaria e leria todos os cadernos, sem parar, em voz alta. Esparava estar acompanhado para isso, mas esse dia nunca parecia chegar.
A última frase que escreveu foi "Eu te amo". Clara lhe disse isso num dia de chuva forte, quando os dois ficaram presos no carro e embaçaram todas as janelas com sua respiração. Ela sussurrou em seu ouvido e descansou a mão no seu peito. Miguel tinha 23 anos, e era a primeira vez que ouvia o amor de verdade. Ele sorriu e esperou anoitecer para fazer a anotação, mas se frustou ao notar que não podia transcrever toda a emoção pro caderninho pautado. Foi o fim dos dizeres. Decidiu que valia mais a pena viver a vida, do que traduzi-la para letras e vírgulas.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Você

Oi.
Eu não fechei os olhos a primeira vez que você tentou me beijar - afinal, como eu ia saber? - mas depois daquele dia, eu nunca mais consegui te beijar de olhos abertos. E quando eu finjo que estou brava, você me beija mesmo assim, e eu gosto, apesar de fazer cara de séria.
Com você, eu não consigo ficar séria muito tempo. E você me deu um pequeno infarto quando me pediu para continuar caminhando com você, apesar de o nosso passado ter apenas dez dias. Mas tudo bem, porque o passado a gente deixa pra trás, e o que nos impulsona é mesmo continuar em frente.
Ei, queria que você soubesse algumas coisas. Queria que você soubesse que eu não brinco quando digo "infinito e além", e que a sua voz é a única que eu não vou odiar ao atender o celular num sábado de manhã. Que você pode me chamar a qualquer hora, e que pode ser bobo o quanto quiser, que eu sempre vou gostar. E não importa o número de poodles acima do peso que se acomodem entre nós, sempre arranjamos um jeito de ficar juntos.
Queria também te dizer que são os seus pequenos gestos que me dizem quem você é, e que eu reconheço a sua grandiosidade sem você precisar dizer nada. E desde daquele dia, pontos de ônibus são muito importantes para mim, assim como os colchões infláveis, tomates, Halls preto, pronto socorros e jogos do Corinthians (ainda que contra a minha vontade). 
Gostaria, ainda, de te agradecer por me acordar de pesadelos, me ensinar três acordes no violão - os quais eu provavelmente esqueci, mas a intenção é o que vale - e por dizer o que eu mais preciso ouvir, nos momentos mais inusitados.
A nós eu brindo com cerveja - que você me ensinou a beber - e faço o sinal da cruz três vezes, para chamar a atenção de todos os anjos.
E ei...
você sabe.

domingo, 28 de junho de 2009

Amizade

"Fica feliz, gorda."



A frase mais bonita que ouvi esses dias (:

terça-feira, 23 de junho de 2009

Expectativas

Quando eu entrei na faculdade, eu ia salvar o mundo. A Paulista era novidade, pegar o metrô toda manhã era divertido. Eu lia livros antes da faixa amarela, adorava ver todos no corredor andando de all stars. Eu ia ressucitar o Pílula Rock, e ia ser fantástico! Eu ia me esforçar mais do que todo mundo, fazer parte do site de Cultura Geral, formular pautas pro Esquinas, ter um blog que bombaria de comentários. 
Eu ia ser livre, andar por onde quisesse, conhecer as baladas mais underground de São Paulo. Eu ia fazer o que quisesse, eu ia dirigir. Minhas roupas iriam se tornar cool na mesma hora, eu ia entrevistar pessoas vips. Meu estágio, logo no primeiro ano, serie invejado por todos: salário incrível, horas de experiência profissional em jornalismo, credenciais para eventos sem igual.
Eu ia colocar toda a minha ânsia de jornalismo para fora, eu ia provavelmente começar a fumar e tomar café. Eu ia fazer o curso à noite, porque teria as manhãs muito cheias. Eu ia até fazer faculdade de História em outro horário!
Na realidade, demorou quase um ano para que eu fosse em uma festa da faculdade, e aprendesse as músicas da Atlética. Até agosto, eu não sabia o nome de todos que estudavam na minha classe, e eu não tinha emprego até outubro. Eu dormia em boa parte das aulas do segundo semestre, e meu super estágio era na área de telemarketing. 
Eu não participei de nenhuma publicação da faculdade, não mandei meu trabalhos para o site de Cultura Geral. Eu não conheço nenhuma balada nova, e não pisei na rádio universitária até as aulas de radiojornalismo do segundo ano. 
Mas quando eu entrei na faculdade....ah, eu ia, sim, salvar o mundo.